Quando a responsabilidade está sempre nas mãos dos adultos
Muitas crianças têm dificuldade em perceber o impacto das suas escolhas e em assumir pequenas tarefas sem ajuda.
Quando os adultos antecipam tudo ou estão sempre a lembrar o que falta fazer, a criança perde oportunidades para aprender a responsabilizar-se.
- Esquecer recados, materiais ou tarefas com frequência
- Esperar sempre por instruções para começar
- Dificuldade em cumprir prazos ou seguir rotinas
- Culpar os outros quando algo não corre bem

Por que é tão importante trabalhar a responsabilidade no 1.º Ciclo?
Aprender a ser responsável ajuda a criança a ganhar autonomia, a tomar decisões e a perceber as consequências dos seus atos. No 1.º Ciclo, este é um passo essencial para a criança conseguir gerir o seu dia, cumprir tarefas e sentir orgulho no que faz, dentro e fora da escola.
Mais do que uma competência escolar, é uma aprendizagem para a vida: é a base para criar adultos responsáveis, confiantes e conscientes do seu papel no mundo.
Como trabalhamos a responsabilidade no dia a dia
A nossa abordagem
No 1.º Ciclo, criamos oportunidades diárias para que as crianças participem ativamente no seu percurso.
As crianças são convidadas a tomar decisões, a organizar o seu trabalho e a refletir sobre o que conseguem realizar. Através de rotinas bem definidas, ferramentas simples e acompanhamento próximo, damos-lhes o espaço necessário para praticar, errar e voltar a tentar com autonomia.
O que fazemos no dia a dia no 1.º Ciclo:
Plano de trabalho
Cada criança define e gere o seu trabalho semanal, com objetivos claros e ajustados ao seu ritmo.
Autoavaliação
Regularmente, a criança revê o que fez, identifica conquistas e pontos a melhorar.
Organização do espaço pessoal
As crianças são responsáveis pelo seu material, cadernos diários e dossieres de trabalho.
Responsabilidades no grupo
Participam na gestão da sala e assumem tarefas rotativas.
Planeamento diário
Aprendem a dividir tarefas ao longo da semana e a prever tempos de trabalho e entrega.
Acompanhamento entre pares
As crianças trocam ideias, ajudam-se mutuamente e aprendem a pedir e dar apoio com autonomia.
E em casa, como posso ajudar a criança a desenvolver o seu sentido de responsabilidade?
Os nossos conselhos
Às vezes, o instinto de proteger e facilitar a vida dos nossos filhos faz-nos antecipar tudo: arrumar a mochila, lembrar os trabalhos, organizar o dia. Mas, ao fazer por eles, tiramos a oportunidade de aprenderem a fazer por si.
Saiba como pode ajudar o seu filho a crescer mais responsável, um gesto de cada vez:
Definir pequenas tarefas diárias, como arrumar a mochila ou pôr a mesa.
Criar um quadro de rotinas visível para ajudar a organizar os dias com horários e responsabilidades claras.
Acompanhar o plano de trabalho e conversar sobre o progresso.
Incentivar a preparação do dia seguinte. Antes de dormir, rever o que é preciso para o dia seguinte (mochila, lanche, roupa, etc.)
Dar espaço para resolver problemas e evitar antecipar soluções — dar tempo para pensar e experimentar.
Fazer perguntas que promovem reflexão: "Como planeias fazer isso?" ou "O que achas que te falta terminar?"
Evitar recompensas por tudo de forma a valorizar o esforço e a responsabilidade como parte natural do crescimento.
Modelar comportamentos responsáveis. Mostrar, com o próprio exemplo, como se organiza, planeia e assume compromissos.
Conheça quem fala consigo, com o coração e experiência
Cláudia Silva
Professora de 1º Ciclo do Ensino Básico
Cláudia Silva
Professora de 1º Ciclo do Ensino Básico
Quando era pequena, a Cláudia queria ser bióloga marinha, mas a sua vida levou-a até à educação. É licenciada em Ensino Básico e tem uma pós-graduação em Educação Matemática na Educação Pré-Escolar, 1º e 2º Ciclos. Trabalha com crianças há cerca de 15 anos e encontra nelas a ingenuidade, a alegria e a criatividade que a fazem “derreter”.
Acredita que a educação é orientar e desenvolver as competências dos alunos preparando-os para a vida e revela a sua preocupação com o respeito pela sua individualidade. Gostaria de ser lembrada pelos alunos com quem partilha a sala de aula como “a professora que os ajudou a crescer”.
Aos seus olhos, o projeto da Lua Crescente é a concretização de uma educação moderna, que contradiz o ensino expositivo e unilateral – do professor para o aluno. Destaca a metodologia de trabalho por projeto, que encara como essencial para a motivação e integração dos alunos durante todo o processo de aprendizagem, estimulando neles o hábito do questionamento sobre aquilo que as rodeia.
Gosta de viver num ambiente de tranquilidade e de harmonia e detesta injustiças. Por isso mesmo, o seu lema de vida é “Não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem a ti.”.
Um dia ideal para a Cláudia passa por ler um bom livro, comer um belo prato de bacalhau com natas, passear com o marido, brincar com o filho e lecionar, demonstrando que o ensino faz parte de quem ela é.
Catarina Cruz
Professora de 1º Ciclo do Ensino Básico
Catarina Cruz
Professora de 1º Ciclo do Ensino Básico
Quando era pequena, a Catarina imaginava que o seu futuro passaria pelo mundo do desporto, como bailarina ou coreografa, mas foi na educação que encontrou a sua verdadeira vocação! Licenciou-se em Educação Básica no ISCE e em 2021 iniciou o Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
Embora adore todas as idades, confessa que os dois anos ocupam um lugar especial no seu coração, pela sua genuinidade e curiosidade inata. Quis o destino que o seu percurso como educadora começasse, precisamente, numa sala com crianças de 2 anos, na Lua Crescente. Um ano depois, aceitou o desafio de ser professora de 1.º ciclo e desde então tem deixado a sua marca como uma professora dedicada e carinhosa!
Acredita que educar é estar presente, orientar e dar o exemplo, e vê na Lua Crescente a modernização da educação, ao colocar as crianças no centro do processo de aprendizagem, através da Metodologia de Trabalho por Projeto.
No seu dia a dia “vive o presente, da melhor maneira possível” e transborda tranquilidade. É apaixonada por decoração, música e praia e se a querem ver verdadeiramente feliz ofereçam-lhe uma boa lasanha ou levem-na a viajar com quem mais gosta!
Ana Filipa Brito
Auxiliar de 1.º Ciclo do Ensino Básico
Sílvia Fernandes
Auxiliar de 1º Ciclo do Ensino Básico
Sílvia Fernandes
Auxiliar de 1º Ciclo do Ensino Básico
Sílvia Fernandes, 28 anos, chegou à Lua cheia de alegria e boa disposição!
Quando era pequena sonhava ser veterinária mas sempre teve receio de animais… Acabou por fazer um curso técnico profissional de acompanhamento de crianças e outro de contabilidade. Como a vida dá muitas voltas, dedicou-se a tarefas várias na área comercial e de serviços de limpeza...
O seu primeiro contacto com crianças fora do contexto familiar/amigos foi no estágio profissional que realizou. E na família, tem dois sobrinhos que diz serem lindos: a Marta, de 4 anos, a quem carinhosamente chama de Martinha e o Fernando com 3 meses.
Segundo a própria, o que mais a atrai nas crianças é a sua essência real. Sem nenhuma faixa etária de preferência (ainda), afirma que cada idade tem a sua particularidade, mas acredita que o berçário e as salas de 1 ano têm um lugar especial no seu coração. Agora a contactar com o 1.º ciclo, diz estar a gostar muuuito da experiência - “para mim, educar é amar, transformar e criar oportunidades de uma vida melhor e mais sorridente”. Considera o projeto da Lua Crescente muito interessante pois valoriza a criança acima de tudo, bem como as suas famílias. Para além disso, coloca o bem-estar e os direitos das crianças sempre em primeiro lugar.
A Sílvia acredita, tal como é referido no plano pedagógico da Lua Crescente, que cada família é única e por isso devemos escutar e valorizar cada uma delas no todo.
Gostava que as crianças se lembrassem de si pela amizade, simpatia e companheirismo.
Passear, ver o mar e estar com os meus amigos, estar em família e ir à praia são o que mais gosta de fazer. Diz detestar falsidades, e não resiste a uma bela francesinha.
O seu lema de vida é tentar fazer sempre o bem, nunca desistir e ver sempre o lado positivo das coisas. Por fim, deixa uma mensagem: “gosto muito de trabalhar na Lua (Crescente) e é o melhor trabalho que já tive na vida.”
Ana Soraia Vieira
Auxiliar Polivalente
Ana Soraia Vieira
Auxiliar Polivalente
Quando era pequena, a Soraia queria ser advogada, mas é a trabalhar com crianças que se sente realizada! Formou-se em Auxiliar de Ação Educativa e até então acumulou experiência em diversas instituições.
Nutre um carinho especial pelo berçário, mas confessa que todas as idades a fascinam! Adora a honestidade das crianças e a forma empática como consolam os outros.
Procura educar com amizade, para que as crianças se tornem responsáveis e respeitadoras e gostava de ser lembrada com um sorriso, pela simpatia que procura transmitir. Acredita que a Lua Crescente respeita o desenvolvimento pessoal e social de cada criança e destaca a atenção dada a cada família como algo estruturante no projeto.
Se a querem ver contente, contem-lhe uma anedota e dêem-lhe comida (principalmente uma feijoada à transmontana) e quem lhe tira um belo passeio pelo campo com a família, a ouvir o som dos pássaros, tira-lhe tudo!
PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA RESPONSABILIDADE NO 1.º CICLO
A partir de que idade se deve trabalhar a responsabilidade nas crianças?
Desde cedo. No 1.º ciclo, as crianças já podem (e devem mesmo) assumir pequenas responsabilidades.
Como sei se o meu filho está a desenvolver responsabilidade no 1.º ciclo?
Se consegue organizar o seu material, cumprir tarefas simples, lembrar-se de compromissos e mostrar autonomia crescente nas rotinas escolares e pessoais, está no caminho certo.
O que devo fazer quando o meu filho não quer fazer o que é combinado?
Manter uma rotina consistente e dar tempo. A responsabilidade desenvolve-se com prática e apoio, não com pressão.
A minha criança está sempre a esquecer-se das coisas. O que posso fazer?
Aposte em estratégias visuais (quadros, checklists) e envolva a criança na preparação do seu dia para reforçar a memória e o sentido de compromisso.
Devo lembrar a criança das suas responsabilidades ou deixá-la esquecer para aprender?
No início, pode lembrar de forma leve e consistente. Com o tempo, é importante retirar gradualmente esse apoio, para promover autonomia real.
As recompensas ajudam as crianças a serem mais responsáveis?
As recompensas constantes podem criar dependência. O ideal é valorizar o esforço e mostrar o impacto positivo de ser responsável no dia a dia.
Como lidar quando a criança falha nas suas responsabilidades?
Use o erro como uma oportunidade de aprendizagem. Fale com calma, analisem juntos o que correu menos bem e criem soluções realistas.
Qual é o papel da família no desenvolvimento da responsabilidade no 1.º ciclo do ensino básico?
Porque é nesta fase que a criança começa a construir hábitos de autonomia, organização e compromisso. Desenvolver responsabilidade no 1.º Ciclo ajuda a preparar o aluno para desafios futuros, dentro e fora da escola.